segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Perspectiva



Sonhos são bons. Bons quando bons, e bons quando ruins.
Quando bons, os sonhos nos fazem, mesmo que por instantes, flutuar em atmosferas desconhecidas, com sentidos torpes, e olhares silenciados pelas euforias que estes nos causam.
Quando ruins, são bons, pelo frio na barriga, pela sensação de agonia contraída em espasmos das pálpebras, que mesmo quando dementes, ensaiam o espanto do despertar...
Sonhos são bons, mas não tão bons quanto poder acordar e perceber que tudo ainda está aqui, no mesmo lugar.







domingo, 19 de fevereiro de 2012

Eu amo

"A mentira é muitas vezes tão involuntária quanto a respiração".
                                                                                    Joaquim

sábado, 18 de fevereiro de 2012

É Lindo!

"Somos donos de nossos atos,
mas não donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
mas não podemos prometer sentimentos...
Atos sao pássaros engailoados,
sentimentos são passaros em voo".


Mário Quintana

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Nunca digo Eu Te Amo

Nunca disse Eu Te Amo.
09.02.2012 22:17h

Sempre me acreditei romântica, sonhadora, dona de uma coleção infinda de croquis de vestidos de noiva, que apesar de ter me imaginado usando um deles pouquíssimas vezes, por saber que dificilmente irei me casar, sempre foram minha predileção quando com o lápis e o papel.

Hoje cedo me peguei arrumando alguns deles, inacabados, outros tantos refeitos, rabiscados, indecisos, e carregados de vontade de que um dia eu possa vê-los adornando a felicidade de alguém, alguém que guardará imagens felizes num álbum de fotografias, e talvez, só talvez, o mantenha numa caixa bem bonita, no fundo de um armário para poder recordar. Acredito que dessa forma eu serei feliz também.

Parece estranho? Para mim, talvez. Mas de uns tempos pra cá fui acometida por um sentimento estranho... percebi que olhava as coisas de modo diferente quando me vi sorrindo pra uma criança... eu que também nunca quis ser mãe, por total falta de talento e habilidade, comecei a ver que algumas coisas na vida deveriam fazer sentido, caso contrário, não aconteceriam com tanta naturalidade.

Foi então que percebi uma coisa grave, um desvio de conduta, de caráter... eu nunca digo Eu Te Amo, eu sempre digo – eu também – o que pra mim sempre foi a mesma coisa, mas que para alguém pode parecer um modo de amar menor, frouxo, covarde... é como se eu não amasse, ou tivesse vergonha de dizer.

Sempre soube do poder das palavras, no meu momento atual, do poder da falta delas, da covardia de assumir desejos, sufocando os medos nos travesseiros. Nunca me vi covarde, talvez, quem sabe, acomodada, já que é mais confortável perder algo ou alguém quando essa coisa ou pessoa não sabe sua real dimensão em nossas vidas...
Achei que isso fosse verdade, pena, eu me enganei.

Hoje sinto apenas a nostalgia da minha solidão, de dormir e acordar infindas vezes na madrugada e me ter na minha própria companhia, e sonhar, e acordar, e saber que o próximo dia será igual, nos afazeres dos dias, da rotina morna que não me pertence, não me abriga e nem me comporta...

Sinto falta da simplicidade das coisas, da cumplicidade, de mãos enlaçadas, de esperar que o telefone toque na certeza de sorrir ao final da ligação. Sinto falta de sentir falta, de estar por perto, de falar besteira... E continuo a mesma, na certeza de que vou dizer Eu Te Amo, um dia, noutra circunstancia, e sem medos...
Eu não faço planos pro fim.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Despedida


O amor não é triste quando não correspondido.
Triste é mantê-lo escondido,
É a dor do silêncio das horas que passam despercebidas,
É amar em segredo, em pecado, com a sofreguidão do medo
De que um dia, se revelado,
Enfraqueça, desfaleça e vire pó.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Revolta do dia 27/01


Eu odeio política. Quero ser uma pessoa apática das perspectivas sociais que furtaram minha vida pessoal.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Mudança

 Ano novo, casa nova, vida nova.

Estou de mudança. Literalmente. Hoje começo a desarrumar minhas gavetas, encher caixas e malas, muitas malas. Confesso que nem eu mesma sabia que guardava tantas coisas, muitas delas que já perderam o valor. Acho que toda essa coisa de retrospectiva dos fatos vividos dos meus últimos seis anos neste apartamento me fez reviver lembranças...

Despeço-me do meu quarto, da minha janela, O lugar de onde vejo, e é tudo tão novo e intimidador, que por vezes fico sem voz. Sentirei saudades... das paredes, das escadas, e até mesmo do elevador que demorava uma vida até chegar ao meu destino, se bem que isso às vezes era bem bom.
Posto que deva fazer as malas, começarei guardando as tais lembranças. Apenas as que ainda me são caras, mas estas eu não poderei relatar aqui, o lugar é um tanto inadequado para tais relatos e narrativas.

Da minha janela sentirei saudade das noites de carnaval, incrivelmente bizarras e indescritíveis. 
Ah, lembro também da visão mais tenebrosa que tive na vida, proporcionada por Ela, e protagonizada pelo vizinho do prédio ao lado, um homem enorme, ruivo (com o cabelo liso na altura dos ombros), gordo e nu. Sim, ele estava nu. Não sei o que ele pretendia, mas fiquei uns três dias rindo de tamanho absurdo. Episódio de meados de 2008.

Lembro também do dia em que a cachorra da vizinha invadiu a sala aqui de casa e minha irmã aterrorizada subiu na mesa e começou a gritar... eu não sabia que ela tinha uma voz tão potente. Foi engraçado, passado o susto.

Mas das lembranças que levarei comigo, com certeza, estarão alguns sorrisos, lindos, sinceros, sentidos e vividos em momentos tão frágeis e sorrateiros que passaram por mim como a brisa fresca do sussurro em meu ouvido. Uma surpresa de bom dia impregnada pelo cheiro dos meus desejos... dos desejos que não sei se ainda os tenho.