Nunca disse Eu Te Amo.
09.02.2012 22:17h
Sempre me acreditei romântica, sonhadora, dona de uma
coleção infinda de croquis de vestidos de noiva, que apesar de ter me imaginado
usando um deles pouquíssimas vezes, por saber que dificilmente irei me casar,
sempre foram minha predileção quando com o lápis e o papel.
Hoje cedo me peguei arrumando alguns deles, inacabados,
outros tantos refeitos, rabiscados, indecisos, e carregados de vontade de que
um dia eu possa vê-los adornando a felicidade de alguém, alguém que guardará
imagens felizes num álbum de fotografias, e talvez, só talvez, o mantenha numa
caixa bem bonita, no fundo de um armário para poder recordar. Acredito que
dessa forma eu serei feliz também.
Parece estranho? Para mim, talvez. Mas de uns tempos pra cá
fui acometida por um sentimento estranho... percebi que olhava as coisas de
modo diferente quando me vi sorrindo pra uma criança... eu que também nunca
quis ser mãe, por total falta de talento e habilidade, comecei a ver que
algumas coisas na vida deveriam fazer sentido, caso contrário, não aconteceriam
com tanta naturalidade.
Foi então que percebi uma coisa grave, um desvio de conduta,
de caráter... eu nunca digo Eu Te Amo, eu sempre digo – eu também – o que pra
mim sempre foi a mesma coisa, mas que para alguém pode parecer um modo de amar
menor, frouxo, covarde... é como se eu não amasse, ou tivesse vergonha de
dizer.
Sempre soube do poder das palavras, no meu momento atual, do
poder da falta delas, da covardia de assumir desejos, sufocando os medos nos
travesseiros. Nunca me vi covarde, talvez, quem sabe, acomodada, já que é mais
confortável perder algo ou alguém quando essa coisa ou pessoa não sabe sua real
dimensão em nossas vidas...
Achei que isso fosse verdade, pena, eu me enganei.
Hoje sinto apenas a nostalgia da minha solidão, de dormir e
acordar infindas vezes na madrugada e me ter na minha própria companhia, e
sonhar, e acordar, e saber que o próximo dia será igual, nos afazeres dos dias,
da rotina morna que não me pertence, não me abriga e nem me comporta...
Sinto falta da simplicidade das coisas, da cumplicidade, de
mãos enlaçadas, de esperar que o telefone toque na certeza de sorrir ao final
da ligação. Sinto falta de sentir falta, de estar por perto, de falar besteira...
E continuo a mesma, na certeza de que vou dizer Eu Te Amo, um dia, noutra
circunstancia, e sem medos...
Eu não faço planos pro fim.